Elas não brincam em serviço

Cresce o número de mulheres empreendedoras no Tocantins em vários segmentos econômicos

Por Itiane Ferreira

Nos últimos 10 anos houve um aumento significativo do trabalho das mulheres impactando positivamente a renda no Brasil. A mudança é que agora além de serem as donas do negócio, elas são profissionalmente mais qualificadas, unidas em associações e atentas às inovações tecnológicas e financeiras do mercado.

Mas há  mudanças importantes no perfil da mulher empreendedora no Brasil. Áreas que antes eram definidas especificamente como masculinas, caso da piscicultura, da agricultura, são negócios que estão agora, na gestão das mulheres.

Interessante é que elas não se satisfazem apenas em fazer bons negócios, se unem e se apoiam mutuamente. 

Em Caseara

Ana Lúcia Rodrigues dos Santos, do assentamento Ana Alice Barros em Caseara, é coletora de sementes nativas, e agroextrativista da Área de Proteção Ambiental (APA) Cantão. Ela é graduada em Serviço Social pelo PRONERA, educadora popular em saúde e desenvolve cinco unidades demonstrativas para fortalecer a produção de alimentos saudáveis, há 19 anos. 

Ana Lúcia produz e faz o beneficiamento de mandioca, vende farinha, planta banana, feijão e arroz, também trabalha com apicultura, coletas de sementes nativas que envia para a rede de Sementes Araguaia. “Também produzo polpa com todos os frutos do Cerrado”.

Ana Lúcia é agroextrativista da APA Cantão em Caseara, graduada em Serviço Social pelo Pronera e Educadora Popular em Saúde.

Estudo do Sebrae sobre empreendedorismo feminino, no 4º trimestre de 2024, revela um aumento no número de mulheres donas de negócio no Brasil, atingindo um recorde histórico de 10,35 milhões. O relatório também destaca os desafios enfrentados pelas empreendedoras, como a desigualdade de renda em relação aos homens e a menor representatividade em cargos de empregadoras. 

Em Miracema

Maria José Abreu, conhecida como Maria do Peixe, associada da Colônia dos Pescadores Profissionais Artesanais Z-16 de Miracema do Tocantins e Tocantínia (COPEMITO). Desde 2026, a organização atua no fomento da pesca artesanal, na valorização da cultura ribeirinha, na preservação ambiental e no apoio socioeconômico a cerca de 100 associados locais.

Cada uma de nós tem um papel essencial na cadeia da pesca que é base da vida”.

“A cooperativa é composta por 16 mulheres pescadoras, a atividade da pesca é fundamental para o sustento das famílias, o sustento da casa, e cada uma de nós tem um papel essencial na cadeia da pesca que é base da vida”, reconhece.

Em Palmeirante

Já na zona rural de Palmeirante, a diretora da Associação dos Pequenos Produtores do Projeto Familiar Vila União (APPVU) em Palmeiras do Tocantins, Claudiane Matos, também se diz muito satisfeita com o trabalho que as mulheres desenvolvem na agricultura familiar.

“As melhoras chegaram, mas falta uma linha de crédito mais facilitada para as mulheres, há muita burocracia”. (Cleudiane Moraes) em frente a bandeira do Brasil, entre as companheiras de vestido branco e a de blusa vermelha.

“Eu tenho a ajuda do meu esposo, mas comecei a trabalhar na roça com meu pai, desde que nasci”. A diretora da APPVU reconhece as melhorias que ocorreram no assentamento mas, para ela ainda falta “uma linha de crédito mais facilitada para as mulheres”

Cleudiane disse que “o Fomento Mulher já apareceu, pela Conab, são R$8 mil reais que em linha de crédito, mas é muito burocrático acessar, eu não consegui, mas muitas mulheres aqui sim”, pra mim as coisas são mais difíceis.

Claudiane também critica a falta de assistência técnica para orientar as mulheres nos projetos que visam obter linha de crédito.

 “O nosso desejo é ter acesso ao crédito, mas é preciso ter assistência técnica correta”, adverte. “Aqui no assentamento quase todo ficou endividado, porque os técnicos levaram a maior parte dos recursos e os produtores ficaram devendo ao banco”. 

Segundo Claudiane, a situação veio melhorar com o “Desenrola Brasil”, oportunidade do governo Federal, que promove a negociação das dívidas atrasadas com desconto de 90%, juros limitados a 1,99% ao mês parcelados até 48 meses, podendo quem está devendo, também usar o FGTS para quitação da dívida. 

Visionária, Claudiane, visa no futuro e na aquisição de máquinas para dinamizar o negócio. “O nosso projeto é investir na agroindústria, estamos lutando para transformar a escola que está desativada, numa empresa para poder beneficiar as frutas da região”. 

A pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios 2025”, do Instituto Rede Mulher Empreendedora, mostra que 65,5% das empreendedoras nunca tentaram solicitar crédito. 

No Tocantins, segundo dados divulgados pelo Sebrae são 331 mil mulheres que estão no mercado de trabalho no Estado, e 62 mil encabeçam os negócios. O empreendedorismo feminino no Estado se destaca principalmente no ramo da moda e confecção. São 8.205 empresas ligadas a este setor, o que representa 13,1% de mulheres que decidiram empreender.

A Pesquisa Irme de 2023, realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (Irme), com apoio da Rede Mulher Empreendedora e execução do Instituto Locomotiva, revela que 70% das empreendedoras são mães.

Ao todo, 55% das mulheres empreendedoras abriram seus negócios por necessidade. 75% delas são das classes DE, 63% possuem até o ensino fundamental, 63% começaram a empreender depois da maternidade e 61% são negras.

Em Taquaruçu, mulheres empreendedoras encontram linhas de crédito com taxas reduzidas e carência estendida voltadas para abertura ou expansão de pequenos negócios. As principais opções locais são o Crédito Online Mulheres Empreendedoras do Estado e o microcrédito Crediamigo Delas.

Pesquisa do Sebrae-PR mostra que em 2024 mais de 10,35 milhões de mulheres aparecem como donas de negócio no Brasil, outra pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora (Irme) de 2023, revela que 70% das empreendedoras são mães. Ao todo, 55% das mulheres empreendedoras abriram seus negócios por necessidade. 75% delas são das classes DE, 63% possuem até o ensino fundamental, 63% começaram a empreender depois da maternidade e 61% são negras.

Itiane Ferreira, CalangoPress
Por Itiane Ferreira, estagiária do CalangoPrees, sob a supervisão da Prof. Maria de Fátima Caracristi

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