Cresce o número de mulheres empreendedoras no Tocantins em vários segmentos econômicos
Por Itiane Ferreira
Nos últimos 10 anos houve um aumento significativo do trabalho das mulheres impactando, positivamente a renda no Brasil. A mudança é que agora além de serem as donas do negócio, elas são profissionalmente mais qualificadas, unidas em associações e atentas às inovações tecnológicas e financeiras do mercado.
Há mudanças importantes no perfil da mulher empreendedora no Brasil. Áreas que antes eram definidas especificamente como masculinas, caso da piscicultura, da agricultura, são negócios estão também, na gestão das mulheres.
Interessante é que elas não se satisfazem apenas em fazer bons negócios, se unem e se apoiam mutuamente, se qualificam profissionalmente e são mais prudentes na obtenção de crédito.
Em Taquaruçu
Em Taquaruçu, distrito há 20 km da capital, hoje, dia 5 até o dia 7 de junho, tem início a Feira Encanto da Serra, a Agriçu – 1.a. Feira da Agricultura Familiar de Taquaruçu e junto acontece o 7o. Rodeio de Taquaruçu, uma oportunidade para quem empreende.
O distrito é reconhecido pela beleza natural, aos pés da serra do Carmo, tem no clima mais ameno, na hospedagem e na gastronomia, essenciais ao desenvolvimento da atividade turística, os maiores atrativos para a visitação de pessoas de outras cidades, além de está na rota do destino Jalapão.
As mulheres se empenham no ramo, com destaque nas inovações gastronômicas.
A carne de jaca, é um exemplo, produzida por Maria Edivângela, é uma marca pelo sabor e textura. O Festival Gastronômico, que acontece anualmente em Taquaruçu, possibilita o incremento de ideias inovadoras nas 50 empreendedoras.
As mulheres empreendedoras encontram linhas de crédito com taxas reduzidas e carência estendida, voltadas para abertura ou expansão de pequenos negócios. As principais opções locais são o Crédito Online Mulheres Empreendedoras do Estado e o microcrédito Crediamigo Delas.
Keylles Cristina Alves, é uma dessas mulheres empreendedoras, obteve 3o. lugar com o prato kQuibe, na categoria Funcional do festival Gastronômico de 2025. Keylles reforça a dificuldade de financiamento. “Há existência de muitas linhas de crédito para as mulheres, mas não são acessíveis”,

“As linhas de crédito existem, o Sebrae entra na capacitação e avaliza, mas exige algum bem, como carro ou imóvel, o empreendedor tem pouco recurso, a gente acaba desistindo“.
Foto do instagra: Keylles Cristina Alves, obteve 3o. lugar com o prato kQuixe, na categoria Funcional do festival Gastronômico de 2025.
Apoio na Inovação
As oportunidades de empreendedorismo são apoiadas por institutos, universidades, como ocorre com o Instituto de Inovação da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Inovato, que investe na formação da cadeia produtiva, atendendo também, o empreendedorismo em ecossistemas agroindustriais.
No ano passado, numa parceria do Fieto-Sebrae e Fapto que é a Fundação de Amparo a Pesquisa do Tocantins, ocorreu o evento Inova Cerrado, pela segunda vez, com o objetivo de mapear o ecossistema de bioeconomia da Amazônia – BAS Itinerante e co-criar novos caminhos, desafios e oportunidades, como destacou, Maria Edvângela, a que produz carne de Jaca.

“É preciso estarmos atentas para os novos caminhos, desafios e oportunidades”. Maria Edvângela.
instagran: A Carne de Jaca – @carne.dejaca
A carne de jaca tornou-se uma novidade na categoria vegetariana “ela tem seu espaço garantido com inclusão e afetividade aos que escolhem se alimentar com alimentos livres de sofrimento animal”, pontua Edvângela.
Em Caseara
Ana Lúcia Rodrigues dos Santos, do assentamento Ana Alice Barros em Caseara, é coletora de sementes nativas e agroextrativista da Área de Proteção Ambiental (APA) Cantão. Ela é graduada em Serviço Social pelo PRONERA, educadora popular em saúde e desenvolve cinco unidades demonstrativas para fortalecer a produção de alimentos saudáveis, há 19 anos.
Ana Lúcia produz e faz o beneficiamento de mandioca, vende farinha, planta banana, feijão e arroz, também trabalha com apicultura, coletas de sementes nativas que envia para a rede de Sementes Araguaia. “Também produzo polpa com todos os frutos do Cerrado, trabalho para manter o cerrado em pé”.

Ana Lúcia é agroextrativista da APA Cantão em Caseara, graduada em Serviço Social pelo Pronera e Educadora Popular em Saúde.
Estudo do Sebrae sobre empreendedorismo feminino, no 4º trimestre de 2024, revela um aumento no número de mulheres donas de negócio no Brasil, atingindo um recorde histórico de 10,35 milhões. O relatório também destaca os desafios enfrentados pelas empreendedoras, como a desigualdade de renda em relação aos homens e a menor representatividade em cargos de empregadoras.
Em Miracema
Maria José Abreu, conhecida como Maria do Peixe, associada da Colônia dos Pescadores Profissionais Artesanais Z-16 de Miracema do Tocantins e Tocantínia (COPEMITO), é uma forte representação da mulher na psicultura.
Desde 2026, a COPEMITO atua no fomento da pesca artesanal, na valorização da cultura ribeirinha, na preservação ambiental e no apoio socioeconômico a cerca de 100 associados locais. No mês de junho, durante o feriado de Corpus Christi, as mulheres da associação se reúnem na Ilha Bela Vista em Miracema.
O evento reúne mulheres de outras entidades como as mulheres do Parque Aquícola Sucupira (PAS) que está às margens do Lago de Palmas, no reservatório da Usina de Lajeado.

“Cada uma de nós tem um papel essencial na cadeia da pesca que é base da vida”.
“A cooperativa é composta por 16 mulheres pescadoras, a atividade da pesca é fundamental para o sustento das famílias, o sustento da casa, e cada uma de nós tem um papel essencial na cadeia da pesca que é base da vida”, reconhece.
Para as mulheres que atuam no ramo da psicultura em Miracema, os problemas são muitos e persistentes, a secretária da associação Z-16, Maria Luiza Barbosa, reconhece que “falta apoio do Estado e políticas públicas voltadas para implementar a logística do projeto”. Enquanto os apoios do governo e do município não chegam elas trabalham incansavelmente com esperança de revigorar a economia pesqueira da região.
Em Palmeiras do Tocantins
Já na zona rural de Palmeiras do Tocantins, a diretora da Associação dos Pequenos Produtores do Projeto Familiar Vila União (APPVU), Claudiane Silvino Matos, também se diz muito satisfeita com o trabalho que as mulheres desenvolvem na agricultura familiar.

“As melhoras chegaram, mas falta uma linha de crédito mais facilitada para as mulheres, há muita burocracia”. (Claudiane Matos) em frente a bandeira do Brasil, entre as companheiras de vestido branco e a de blusa vermelha.
“Eu tenho a ajuda do meu esposo, mas comecei a trabalhar na roça com meu pai, desde que nasci”. A diretora da APPVU reconhece as benfeitorias que ocorreram no assentamento mas, para ela ainda “falta linha de crédito mais facilitada para as mulheres”.
Claudiane disse que “o Fomento Mulher já apareceu, pela Conab, são R$8 mil reais em linha de crédito, mas é muito burocrático acessar, eu não consegui, mas muitas mulheres aqui sim, pra mim as coisas são mais difíceis”.
Claudiane também critica a falta de assistência técnica para orientar as mulheres nos projetos que visam obter linha de crédito.
“O nosso desejo é ter acesso ao crédito, mas é preciso ter assistência técnica correta”, adverte. “Aqui no assentamento quase todo mundo ficou endividado, porque os técnicos levaram a maior parte dos recursos e os produtores ficaram devendo ao banco”.
Segundo Claudiane, a situação veio melhorar com o “Desenrola Brasil”, oportunidade do governo Federal, que promove a negociação das dívidas atrasadas com desconto de 90%, juros limitados a 1,99% ao mês parcelados até 48 meses, podendo quem está devendo, também usar o FGTS para quitação da dívida.
Visionária, Claudiane, mira no futuro e na aquisição de máquinas para dinamizar o negócio. “O nosso projeto é investir na agroindústria, estamos lutando para transformar a escola que está desativada, numa empresa para poder beneficiar as frutas da região”.
Pesquisa sobre empreendimento da mulher
A pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios 2025”, do Instituto Rede Mulher Empreendedora, mostra que 65,5% das empreendedoras nunca tentaram solicitar crédito.
No Tocantins, segundo dados divulgados pelo Sebrae, há 331 mil mulheres que estão no mercado de trabalho no Estado e 62 mil encabeçam os negócios. O empreendedorismo feminino no Tocantins se destaca principalmente, no ramo da moda e confecção. São 8.205 empresas ligadas a este setor, o que representa 13,1% de mulheres que decidiram empreender.
A Pesquisa Irme de 2023, realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (Irme), com apoio da Rede Mulher Empreendedora e execução do Instituto Locomotiva, revela que 70% das empreendedoras são mães.
Ao todo, 55% das mulheres empreendedoras abriram seus negócios por necessidade. 75% delas são das classes DE, 63% possuem até o ensino fundamental, 63% começaram a empreender depois da maternidade e 61% são negras.
A busca por independência econômica e maior participação social, ao que parece tem impulsionado o empreendedorismo da mulher. O movimento dá mostras que elas não brincam em serviço, superam desafios estruturais e culturais em vários setores.







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