Por Amy Lee

Entre algorítmos e likes, o celular passou de ferramenta de comunicação a vitrine, provador e caixa registradora, impulsionando o crescimento de lojas femininas exclusivamente digitais no Brasil.

Com apoio de plataformas como Instagram, TikTok, WhatsApp e marketplaces, milhares de mulheres passaram a investir em negócios online de moda, maquiagem e acessórios, alcançando consumidores em diferentes cidades sem necessidade de espaço físico.

O avanço das redes sociais e do e-commerce também transformou o comportamento do público, tornando praticidade, rapidez e facilidade de acesso fatores decisivos nas compras.

Pesquisas apontam que conveniência, confiança e presença digital influenciam diretamente o consumo, enquanto estudos sobre empreendedorismo feminino destacam o ambiente online como alternativa mais acessível para autonomia financeira e inserção no mercado.

Apesar das oportunidades, o setor enfrenta desafios como alta concorrência, dependência dos algoritmos e necessidade constante de produção de conteúdo.

Nesse cenário, empreendedoras passaram a acumular funções, atuando não apenas nas vendas, mas também na criação de vídeos, atendimento ao cliente, construção de autoridade e manutenção da presença digital.

As duas lojas de Júlia Cardoso: 100% online e outra física. Foto: Amy Lee Gomes/Montagem

Quando o Instagram virou vitrine?

A pandemia acelerou a migração de pequenos negócios para o ambiente digital, impulsionando o uso das redes sociais como vitrines acessíveis para empreendedoras, graças aos baixos custos operacionais e à ausência de estrutura física.

Nesse cenário, Maria Clara Mourão criou uma loja de moda feminina pelo Instagram, utilizando apenas o celular para vender, divulgar produtos e alcançar consumidores.

O modelo acompanha o crescimento do social commerce, em que as redes sociais deixam de ser apenas espaços de divulgação e passam a funcionar também como ambientes de venda, relacionamento e construção de marca.

Além de ampliar a praticidade para consumidores, esse formato reduziu barreiras de entrada e facilitou a inserção de mulheres no empreendedorismo digital.

Ainda assim, desafios como dependência dos algoritmos,necessidade de impulsionamento e logística de entregas fazem parte da rotina de quem empreende online.

“A venda é emocional”

Mesmo com o crescimento do e-commerce, a experiência física ainda mantém importância no setor de moda feminina, já que experimentar peças, analisar tecidos e avaliar modelagens continuam influenciando a decisão de compra.

Para a empreendedora Júlia Cardoso, a conexão presencial segue como diferencial competitivo diante do avanço das vendas digitais e dos marketplaces.

Especialistas apontam que, embora o ambiente online ofereça praticidade e maior alcance, a experiência personalizada e a relação emocional ainda impactam o comportamento de consumo.

Paralelamente, as redes sociais também transformaram o papel das empreendedoras, que passaram a atuar não apenas na gestão do negócio, mas também como criadoras de conteúdo e principais responsáveis pela comunicação das marcas, exigindo proximidade e identificação constante com o público.

O algoritmo virou parte do negócio

As redes sociais descentralizaram a publicidade e ampliaram o espaço de pequenos empreendedores no mercado digital, permitindo que marcas menores disputassem atenção com grandes empresas em plataformas como Instagram, TikTok, Shopee e marketplaces.

Porém, a visibilidade passou a depender de estratégias de conteúdo, frequência de postagem e compreensão dos algoritmos.

A especialista Júlia Z. Diegoli explica que o ambiente digital transformou tanto a forma de anunciar quanto o comportamento dos consumidores, que hoje estão mais acelerados e menos receptivos a conteúdos excessivamente publicitários.

Nesse contexto, vídeos cotidianos, campanhas espontâneas e conteúdos considerados mais “reais” ganharam força, acompanhando o crescimento do UGC (User Generated Content), estratégia baseadaem experiências autênticas produzidas por consumidores ou criadores.

Especialistas apontam ainda que um dos principais desafios para pequenos empreendedores está na construção de posicionamento e identidade digital, já que apenas impulsionar anúncios não garante permanência nem fidelização de clientes em um ambiente altamente competitivo.

Confiança virou moeda no comércio online

Em um mercado cada vez mais digital, confiança e credibilidade se tornaram fatores centrais na decisão de compra. Avaliações, comentários e presença ativa nas redes sociais ajudam consumidores a medir a confiabilidade de lojas online antes de finalizar pedidos.

Para a estudante Anna Beatriz Leal, a autenticidade da marca influencia diretamente na sensação de segurança durante a compra, especialmente quando é possível identificar quem está por trás da loja e acompanhar sua comunicação nas redes.

A preocupação é reforçada por experiências negativas relacionadas à qualidade, modelagem e diferenças entre fotos e produtos reais, que ainda comprometem a relação entre consumidores e marcas.

Apesar da praticidade do e-commerce, Anna afirma preferir lojas físicas em situações em que precisa avaliar tecido, tamanho e caimento das peças. A percepção acompanha pesquisas que apontam que, além da conveniência, fatores como experiência, confiança e identificação continuam sendo decisivos para fidelizar consumidores

Empreender exige mais do que vender

Embora as redes sociais tenham reduzido barreiras para pequenos negócios, manter uma empresa ativa no ambiente digital ainda exige planejamento, conhecimento técnico e adaptação constante. Segundo a analista técnica do Sebrae, Sirlene Martins, muitos empreendimentos brasileiros surgem inicialmente por necessidade, como alternativa de renda e autonomia financeira.

Analista técnica do Sebrae, Sirlene Martins: “atendimento ao consumidor tem buscado novas estratégias“, Imagem: Amy Lee Gomes

Com o crescimento dos negócios, porém, aparecem desafios ligados à gestão financeira, posicionamento digital, precificação e identidade visual, tornando a profissionalização um dos principais obstáculos para pequenos empreendedores.

Sirlene também destaca que o avanço do comércio eletrônico levou empresas físicas a repensarem estratégias de atendimento e experiência do consumidor, já que diferenciação e personalização ganharam ainda mais importância diante da praticidade das compras online.

Nesse cenário, instituições como o Sebrae ampliaram ações de capacitação em gestão e marketing digital para acompanhar o crescimento de negócios que nasceram ou migraram para o ambiente virtual.

Por Emy Lee, aluna do Curso de Jornalismo, sob a supervisão da Prof. Daniela Soares

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