Mulheres transformam habilidades manuais em negócios próprios e impulsionam empreendedorismo feminino no Tocantins
Por Mireia Carvalho
Em meio a recortes, linhas, agulhas e tecidos, o som da máquina de costura é constante na casa de Marta Maria Araújo de Melo, mulher de 67 anos, que tornou um desejo de infância em seu negócio próprio. Localizada na ARNO 33 da capital do Tocantins, Palmas, sua casa hoje é, além de seu lar, o seu local de trabalho, onde calças são remendadas, vestidos são produzidos e a costura agora é sua principal fonte de renda.
Segundo dados do Sebrae, o Tocantins possui cerca de 62 mil mulheres à frente de seus próprios empreendimentos. Dentre elas, 78% se encontram na faixa etária de 25 a 59 anos, e as áreas de moda e confecção se destacam no Estado, com 8.205 empresas no ramo.
Ao transformar habilidades manuais em fonte de renda, mulheres movimentam a economia local e impulsionam a entrada no mercado de trabalho com negócios criados ainda dentro de suas próprias casas.

Primeiro ateliê de Marta (Foto: Arquivo pessoal)
Marta está entre essas milhares de mulheres que encontraram autonomia financeira no empreendedorismo. Desde criança, ela foi curiosa pela área da criação e ansiava em criar e confeccionar suas próprias peças. Aos 17 anos, seu pai lhe presenteou com a primeira máquina de costura, que foi a primeira ferramenta de trabalho para pequenos consertos, quando ainda não tinha experiência.

Casa onde começou a costurar, no povoado Lago do Baiano, a 6km de Poção de Pedras (Foto: Arquivo pessoal)
A máquina entregue pelo pai foi apenas o primeiro passo para, décadas depois, ela transformar esse sonho em fonte de renda e se tornar a costureira que hoje mantém a agenda cheia de serviços.
Com o passar dos anos, o interesse pela costura, que vinha desde a infância, tornou-se cada vez mais forte. Quando ainda não sabia fazer recortes, ela realizava a etapa de montagem para outros, mas continuou a desejar fazer seus próprios moldes.
“Eu ganhei uma máquina do meu pai e fazia pequenos consertos de tudo, mas meu interesse era aprender a cortar e montar. Quando eu achava alguém que cortava, me dava já cortadinho e eu montava”, relembra a costureira.
Ela relata que em sua cidade natal, Poção de Pedras, no Maranhão, havia dificuldade para conseguir trabalho, e como não possuía uma profissão, seu interesse pela área aumentava. A prefeitura de sua cidade chegou a ofertar curso na área, mas como não conseguia praticar, aquele não foi o momento da sua entrada oficial neste mundo de tecidos. “Eu me interessei e fui atrás dos cursos que o prefeito dava, mas tipo assim, você o curso e não praticar, não tem nada”, desabafa.
De acordo com o Sebrae, o empreendedorismo feminino cresceu em 27% nos últimos 10 anos, e em dezembro de 2025, obteve um recorde de 10,4 milhões de mulheres empreendedoras. E, no Brasil, 67% das donas de seu próprio negócio são mães, segundo o estudo do Sebrae “Empreendedorismo Feminino”.

Roupas que confeccionou (Foto: Arquivo pessoal)
A costura se tornou uma profissão apenas anos depois, quando Marta já estava casada e com as filhas. Em meio às dificuldades, os desejos de suas filhas foram a motivação necessária para que ela reencontrasse àquele sonho de infância aos seus 28 anos, com a intenção de tornar reais os pedidos de suas filhas:
“Me gerou mais interesse para conseguir fazer do jeito que elas queriam e que eu queria, quando compramos nunca encontramos do jeito que queremos, aí foi mais um motivo”, complementa.
Assim como todas as profissões, ela também perpassou por dificuldades. Em meio às práticas, até se tornar experiente, passou por momentos em que as respostas negativas lhe fizeram querer desistir, mas ela persistiu.
“Tem muita luta pelo meio, às vezes você faz, a pessoa não gosta e dá vontade de desistir. Mas aí a gente vai passando e pratica. Quando a gente tem interesse, a gente pratica”, declara Marta.

Vestido confeccionado por Marta para o batismo de sua filha
(Foto: Arquivo pessoal)
E foi assim, com persistência e muito trabalho, que Marta aprimorou suas habilidades e transformou um sonho de infância em um negócio próprio e consolidou sua identidade profissional. Em meio aos tecidos e atrás da máquina de costura, ela encontrou a realização de uma criança curiosa que desejava aprender a costurar, e fez desse sonho um empreendimento.
“Se tornou minha profissão e aprendi o corte lá pelos meus 28 anos, e daí para cá nunca mais eu parei”, afirma.

Por Mireia Carvalho, estudante do 8o. período do curso de jornalismo, sob a supervisão da Prof. Valquíria Guimarães.




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