FAMÍLIAS DO BACURI ESTÃO ASSUSTADAS COM VIOLÊNCIA PRATICADA POR FILHO DE FAZENDEIRO DA REGIÃO

Da Redação com edição de áudio de Loara Tomaz

Acompanhe a entrevista com os moradores da comunidade

Os conflitos de terra no Tocantins, com ameaças de mortes e intimidação ainda persistem. Agora as violações são contra as vidas dos moradores da comunidade Bacuri, no município de Piraquê.

No dia 3 de outubro, foi registrado o Boletim de Ocorrência nº 00092217/2025, na 30ª Delegacia de Polícia de Wanderlândia/TO, contra Nelsinho de tal, que segundo relato teria lançado a Toyota de placa SWL4J75/SP, de cor cinza, de propriedade da mãe, Rozane Lira dos Santos contra o automóvel de Rosimeire Ribeiro de Oliveira, que para livrar-se do impacto, jogou o veículo numa plantação de milho.

Conforme relato, o fato ocorreu no dia 30 de setembro de 2025, por volta das 14h, quando Rosimeire retornava em seu veículo ao Assentamento Bacuri, acompanhada da Luana Pereira da Silva Carneiro, trafegando pela estrada vicinal que corta a Fazenda Sapucaia. 

Na ocasião, foram surpreendidas pela Toyota que de forma intencional e dolosa, jogou-se contra Rosimeire. Mas este não é um caso isolado, há mais outros moradores da Comunidade Bacuri que também foram surpreendidos durante a noite, pela mesma pessoa.

“Ele persegue os carros, dá tiros de pistola e por último disse que vai fechar a porteira da fazenda, que é via de acesso para os moradores do assentamento”, diz Gilson Pereira de Melo, que mora há seis anos no assentamento Bacuri.

Moradores do assentamento Bacuri

Entre as pessoas coagidas estão Francisco de Assis da Silva, Manoel Marlon Pereira, Wilson Aires de Lima, Neivan Oliveira Coelho, Raimundo Nonato Pires e Luana Pereira da Silva Carneiro, que dizem ter sofrido as investidas e coações, motivo pelo qual a comunidade encontra-se amedrontada e insegura.

Alezir Pereira da Silva também é outra vítima do suposto filho do fazendeiro, ele vinha de moto com a esposa, Elza Maria de Souza Silva, quando passou pela fazenda pela estrada vicinal e foi abordado pela mesma Toyota, geralmente ocorre à noite. “A estrada fica no meio da fazenda deles, as informações é que este Nelsinho é filho da mulher que se diz proprietária”. 

Jacinta Costa Dias, que é moradora do assentamento Bacuri, esposa do presidente do assentamento, informou que as terras foram ocupadas desde 2019 e que a intenção do  Nelsinho, é de “tomar essa área na marra são 500 alqueires com 63 famílias”, explicou. “Não estou nem na Fazenda Sapucaia nem na Fazenda Santo Antônio, estou entre uma e outra, mas tenho medo por mim e por meu velho que é o presidente da associação”.

A Fazenda Sapucaia em Piraquê do Tocantins tem uma área georreferenciada com 1.769,49 ha. Na pesquisa realizada para localização da área ocupada econtramos um documento da Prefeitura Municipal de Piraquê de 20/07/2004, que informa que a aŕea é constituída pelos pelos imóveis rurais: Fazenda Santo Antônio, Fazenda Sapucaia, e Fazenda Rio Corda, Fazenda Bela Vista . https://central.to.gov.br/download/43115

A área também é declarada de proteção ambiental com a denominação de “APA Municipal Sapucaia”, área de 17.208,80 há. (dezessete mil e duzentos e oito e oitenta hectares) de terras, localizada no Município de Piraquê”.

Tramita perante o Juízo da Comarca de Wanderlândia ação de reintegração de posse proposta por Rozane Lira dos Santos, contra os assentados, ainda pendente de julgamento definitivo, uma vez que o processo se encontra sub judice, sem o devido trânsito em julgado.

Os fatos são que Nelsinho, filho da proprietária da fazenda, vem afirmando publicamente que pretende obstruir a via de acesso à propriedade, que é utilizada como rota do transporte escolar, para o deslocamento de alunos ao município de Piraquê-TO, além de livre acesso dos moradores locais. 

As abordagens de violência contra os moradores agrava a tensão social na região da Fazenda Sapucaia, o problema está judicializado e acompanhado pelo Centro de Direitos Humanos de Cristalândia, além da atuação do Ministério Público Estadual, a fim de que sejam adotadas as medidas legais cabíveis.

Dentre as quais estão a oferta de denúncia criminal contra o mencionado autor das ameaças pela prática, em tese, de ilícitos penais tipificados no Código Penal, bem como a adoção de providências preventivas para resguardar a ordem pública, a integridade física dos envolvidos e a continuidade do serviço essencial de transporte escolar.

Município de Piraquê   

O município se estende por 1 367,6 km² tem uma população estimada de 3 017 habitantes, dados do último censo, com densidade demográfica de 2,2 habitantes por km².

Os municípios de Carmolândia, Riachinho e Wanderlândia, são vizinhos de Piraquê, que se situa a 47 km a Norte-Oeste de Araguaína, a cidade mais próxima nos arredores. 

O povoamento ocorreu por famílias procedentes de Goiás, Minas Gerais, Piauí, Ceará e Maranhão, a partir da década de 1950, a agropecuária e a extração de madeira foram as principais explorações econômicas da cidade.

A cidade é cercada por grandes latifúndios onde se criam gado de corte. Com a política de Reforma Agrária do Governo Federal, a cidade de Piraquê tornou-se um pequeno centro agropecuário e agricultor devido aos projetos de assentamentos rurais de Mantiqueira, Santa Marta, Brejão e Boa Esperança, que aumentaram o número de habitantes do município na zona rural e, consequentemente, impulsionaram a economia local com produção agrícola e agropecuária. (Wikipédia)

Dados de ocorrência e conflitos no campo

Dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) indicam um aumento de 5,44% de violência nos conflitos agrários em relação ao mesmo período de 2021. O Conselho Indigenista Missionaŕio (CIMI) Em 2022, informa que houve  no 1º semestre de 2022: 601 episódios de conflitos registrados, conforme dados da CPT.

 Tipos de violência: O foco principal foi em violência contra famílias e pessoas, mas também ocorreram ocupações/retomadas e acampamentos. As maiores vítimas foram indígenas (34,66%), seguidos por quilombolas (23,1%), sem-terra (12,45%), posseiros (10,83%) e assentados (8,3%).

A edição do Caderno Conflitos no Campo Brasil colocou em destaque as violências praticadas na Amazônia Legal e no Matopiba, dos quais o Tocantins é parte, e que representam mais da metade de todos os conflitos ocorridos no Brasil. 

Na luta pela permanência no seu território, ou em busca de territórios para reprodução da vida, os povos do campo, das águas e das florestas vivenciam diversos tipos de conflitos. Durante o período, 878 famílias sofreram com a destruição de suas casas, 1.524 de seus roçados e 2.909 de seus pertences. Também houve aumento no número de famílias expulsas (554), e despejadas judicialmente (1.091) e impedimentos de acesso a áreas coletivas, como roças, áreas de extrativismo do babaçu e outras. 

No caso das violências contra a ocupação e a posse, os crimes de pistolagem, grilagem e invasão também mostram um crescimento no número de ocorrências (143, 85 e 185, respectivamente).

Deixe um comentário

Eu sou O
Calangopress

Um Projeto de Pesquisa e Extensão idealizado para as atIvidades práticas de reportagem, produzido com a participação dos acadêmicos do curso de jornalismo da UFT.

Vinculado ao Núcleo de Jornalismo (NUJOR), o Calangopress funciona como laboratório para as atividades práticas do estágio, supervisionado pela Prof. Dra. Maria de Fátima de Albuquerque Caracristi.