Por Núbia Matos

Acompanhe a entrevista com o Prof. Edi Benini
Compor uma rede de circulação, abastecimento e comercialização solidária, que favoreça a produção e a comercialização dos pequenos agricultores, indígenas, quilombolas e associação de mulheres do Tocantins é a proposta do projeto desenvolvido pelo Prof. Dr.Edi Benini, do Curso de Administração da UFT.
A proposta, anteriormente conhecida como Rede Nacional do Comum, agora protagoniza o Tocantins como ponto de partida, especialmente visando superar as dificuldades que os pequenos produtores rurais enfrentam com transporte, armazenagem e acesso mais amplo ao mercado.
O projeto visa auxiliar pessoas como dona Merina Ribeiro, quilombola da região do Jalapão, que aos 69 anos, ainda trabalha na roça, produzindo alimentos. “Eu planto feijão, mandioca, cana, minha vida é este canteiro”.
Quantidade de Pessoas que vivem da Agricultura Familiar no Brasil
Com base no Anuário Estatístico da Agricultura Familiar de 2024 (que utiliza dados estruturais do Censo Agropecuário do IBGE), aproximadamente 3,9 milhões de estabelecimentos rurais familiares, representando 77% do total de estabelecimentos agrícolas do país.
A agricultura familiar dinamiza a economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes e é responsável por 67% das ocupações no campo e representa 23% do Valor Bruto da Produção Agropecuária brasileira.

Dona Merina é uma das representantes dessa produção, que é representada pela mandioca (70% da produção); Feijão Preto: 42% da produção; leite de Vaca: 64% da produção. Arroz: 11% da produção. Pimentão/Tomate: 71% e 45% da produção, respectivamente.
A maior concentração de trabalhadores da agricultura familiar está no Nordeste (46,6%), seguida por Sudeste (16,5%), Sul (16%), Norte (15,4%) e Centro-Oeste (5,5%)
O coordenador do projeto, professor Edi Augusto Benini, diz que a iniciativa busca estruturar uma solução integrada e de caráter coletivo: “O diferencial que a gente busca é criar um patrimônio produtivo comum, que seja compartilhado entre diferentes áreas, como a agricultura familiar, a agroecologia e a economia solidária.
A proposta é valorizar a produção, melhorar a renda e organizar um processo produtivo por meio de uma cooperativa integradora dos produtores locais.
Benini explica ainda, que como parte dessa estratégia, está prevista a implantação do Espaço Comum de Inovação e Inclusão Social (ECIIS), um equipamento público vinculado à UFT, voltado ao desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação social e inclusão produtiva.
A proposta depende da cessão ou doação de uma área pública pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), no município de Palmas, que vai funcionar como um entreposto territorial para recepção, organização, beneficiamento inicial, armazenamento e distribuição da produção da agricultura familiar, visando superar gargalos logísticos e de comercialização
A primeira etapa de implantação do espaço prevê a criação de uma Unidade Produtiva Agroecológica Modular, concebida como um entreposto territorial para recepção, organização, beneficiamento inicial, armazenamento e distribuição da produção.
A estrutura, de caráter modular e de rápida implantação, deve funcionar como base logística para apoiar agricultores familiares, assentados, comunidades tradicionais e empreendimentos solidários.
Projeto visa melhorar a circulação da produção e ampliar o alcance
Para Benini, o objetivo do projeto é garantir melhores condições de circulação da produção e ampliar o alcance dos produtos. “A gente espera que esse processo traga maior regularidade nas vendas, redução de custos, agregação de valor e também que os produtos cheguem ao consumidor com mais qualidade e a um preço justo”.
O aumento da renda das famílias é possível “se forem reduzidas as perdas que ocorrem principalmente na logística e no transporte”, explica. “Além de apoiar o escoamento da produção, a unidade permitirá organizar fluxos de coleta e distribuição, reduzir perdas pós-colheita e fortalecer a inserção em mercados institucionais, contribuindo para a consolidação de redes territoriais de comercialização”.
Na proposta a UFT atua como articuladora entre diferentes atores sociais. “O papel da universidade é ser um grande articulador, trazendo base teórica e metodológica, dialogando com os diferentes segmentos e contribuindo para a construção de uma rede solidária do comum”, completa o professor.
https://chat.whatsapp.com/HWyEfCPPM4yLE7Lz43sCrs?mode=gi_t
Link para pequenos produtores rurais que queiram entrar no grupo







Deixe um comentário