O TOCANTINS APRESENTA UMA DAS MAIORES TAXAS DE HANSENÍASE POR HABITANTE
As 14,4 milhões de pessoas da população com 2 anos ou mais de idade, consideradas com deficiência no Brasil, tem crescido devido o aumento das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs).
São 7,3% da população brasileira que apresenta algum tipo de deficiência, física, cognitiva, ou neurológica. Parte dessas deficiências são originadas à negligência social e econômica em que vivem a população no Brasil, são acometidas pelas Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs)
São exemplos de DTNs, as Doença de Chagas: referida apenas como Chagas ou DC. Leishmanioses: LTA (Leishmaniose Tegumentar Americana) e LV (Leishmaniose Visceral). Esquistossomose: ESQ (ou barriga d’água). Hanseníase: HAN. Dengue, Zika e Chikungunya: Arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti.
Doenças negligenciadas são infecções que afetam principalmente populações pobres em regiões tropicais, em áreas com pouco investimentos em saúde, pesquisas e tecnologia.
A jornalista Pollyane Medeiros, é uma dessas pessoas, foi curada pela hanseníase, tornou-se ativista em defesa dos direitos das pessoas afetadas pelas Doenças Tropicais Negligenciadas em Recife-PE.
Também é co-fundadora do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), e coordenadora do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), do núcleo Jaboatão e parte da Rede Universitária de Enfrentamento a Hanseníase, Rede Hans/PE.
Pollyane é assertiva, “são doenças negligenciadas socialmente, infelizmente a incidência das doenças negligenciadas transformam pessoas sadias em pessoas com deficiência”, afirma.
“Doenças como hanseníase, a filariose, a HTLV, que é um retrovírus que pertence à mesma família do HIV, podem levar as pessoas às filas do INSS, porque elas acabam perdendo seus empregos e necessitando dos benefícios sociais”.
Tocantins lidera com hanseníase
“O Tocantins continua com um índice muito alto de pessoas acometidas pela hanseníase”, disse Leomar Brigagão, ele também adquiriu a doença e perdeu o movimento da mão direita.
“Eu fui curado da doença mas perdi o movimento da mão direita, o tratamento foi todo feito pelo SUS, o primeiro passo é procurar um postinho de saúde mais perto, a quimioterapia e todo tratamento é feito gratuitamente pelo SUS no Brasil”.

“O Morhan é um movimento voluntário que está presente em Palmas e em todas as cidades, visa erradicar e curar as pessoas atingidas pela hanseníase, eu represento os idosos neste movimento” Leomar Brigagão.
Brigagão coordena núcleo intergeracional contra a hanseníase no Morhan nacional.
Em 2024, o Ministério da Saúde classificou o Tocantins como um estado hiperendêmico para a hanseníase, apresentando uma das maiores taxas de detecção e contágio do país.
O estado registrou centenas de novos diagnósticos da doença que afeta a pele e os nervos periféricos (com registros estaduais apontando mais de 800 casos no período).
O Estado está ao lado de Mato Grosso como os dois únicos no Brasil, com patamares considerados hiperendêmicos pela alta taxa de detecção proporcional de habitantes.
O Brasil mantém a segunda posição mundial em registros de novos casos, tornando o monitoramento nas regiões Norte e Centro-Oeste prioritário para os serviços de saúde.
Projetos para Informação é essencial
Para levar educação e saúde para a população, Pollyane Medeiros acredita na informação e na orientação aos pacientes.
“Em Recife um dos nossos projetos é a sala de espera. Lá, enquanto os pacientes estão aguardando para serem atendidos, eles vão receber palestras das diversas doenças negligenciadas, com participação de uma pessoa afetada pela doença e também estudantes da área de saúde que estão em formação”.
Pollyanne enfatiza que “as pessoas continuam chegando às unidades de saúde sem saber o que tem, levar educação e saúde à população é o nosso papel, nós não queremos ser um CID, não queremos continuar a ponto de nos tornarmos pessoas com deficiência”.
Dados de Pesquisas
Pesquisa publicada na Revista de Patologia da UFT, intitulada “Perfil Epidemiológico da Hanseníase no Estado do Tocantins no período de (2018-2021) identifica uma queda da taxa de detecção anual de casos de hanseníase, mas o Tocantins ainda foi classificado como hiperendêmico.
Dados da pesquisa, comprovam que de 2018 a 2021 foram notificados 6.401 casos de hanseníase, sendo a microrregião de Porto Nacional responsável por 3.139 (49,04%).
Com relação ao sexo, foram acometidos principalmente indivíduos homens, pardos e com idade entre 30 e 59 anos. Houve predomínio de diagnósticos da classe operacional multibacilar (90,17%) e da forma clínica dimorfa (72,38%).
Em 2020 e 2021, anos iniciais da pandemia, a proporção entre contatos examinados e rastreados diminuiu, enquanto a porcentagem de diagnósticos tardios, em fase avançada da doença, aumentou.
Saiba mais no artigo:
https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/patologia/article/view/1881






Deixe um comentário