Peritos do Mecanismo Estadual de Combate a tortura do Tocantins são empossados
Acompanhe a entrevista com Mônica Brito do CEDECA

No momento em que há uma crise de superlotação nos presídios e nas unidades socieoeducativas, que culmina com violação de direitos e práticas de tortura, o Tocantins deu posse aos sete Peritos do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate a Tortura (MEPCT/TO),  na manhã do dia 11 de março, qurata-feira, no auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCETO).

O MEPCT, é um órgão autônomo e independente, integrado por pessoas que foram selecionadas, para realizar inspeções surpresa em locais de privação de liberdade (presídios, hospitais psiquiátricos, abrigos), visando fiscalizar a situação de pessoas em privação de liberdade, inclusive em comunidades terapêuticas e de doentes mentais.

Uma das representantes que esteve junto à posse dos peritos do Estado, Eliane Moura Vieira do comitê do Rio de Janeiro, esclareceu que “os comitês nasceram no Rio de Janeiro e reconhece que a tortura no Brasil se intensificou desde 1988, exatamente no ano em que o Estado do Tocantins foi criado junto a constituição do Brasil”, argumentou.

“As pessoas em privação de liberdade precisam ser responsabilizadas pelos seus delitos e não punidas, dar voz às essas pessoas foi o que me fez chegar aqui, porque tenho uma luta familiar e isso me dá conhecimento para ter a honra de participar da implementação do Mecanismo Estadual no Tocantins”, disse da tribuna durante abertura do evento.

A Secretária Executiva do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Tocantins (CEDECA-TO), Monica Brito, enfatizou a importância dos peritos empossados no  (MEPCT/TO) para controlar as violações  e maus tratos do sistema junto aos adolescentes. “É preciso lembrar que a tortura não é só bater, mas o isolamento é tortura, não ter educação é tortura, precisa melhorar muito”.

Estiveram presentes à solenidade Jesse Nascimento, presidente do Comitê Estadual de Prevenção e Combate a Tortura do Tocantins (CEPCT/TO), Silvia Diniz Dias, representante da Associação para a prevenção da Tortura (APT), Juan Pablo Vegas, membro do SubComitê da ONU para prevenção à tortura; procurador da República, Álvaro Manzano e o secretário de Cidadania e Justiça do Tocantins, Hélio Marques.

Também houve o pronunciamento do representante da Defensoria Pública do Tocantins, defensor Fabrício Oliveira, dizendo da “importância do respeito às prerrogativas adotadas pelos peritos”. 

Situação no Tocantins

A população carcerária do Tocantins é de aproximadamente 3.700 presos, operando acima da capacidade, conforme dados dos Relatórios obtidos pelo Sistema Nacional de Atendimentos Socioeducativo (SINASE, 2025). 

O Estado é considerado o que apresenta menor número absoluto de presos, em torno de 1,4 mil presos, mas está além das vagas disponíveis. O documento também informa que o custo carcerário do Estado foi apontado em 2025, com dados de 2024, como o que apresenta o 3º maior custo carcerário do país, com média de R$ 4 mil por preso.

Adolescentes em conflito com a lei no Brasil, que cumprem medidas de privação ou restrição de liberdade, ficam em unidades socioeducativas especializadas ou em regime de semiliberdade, totalizando mais de 500 unidades no país. A maioria, cerca de 96% masculina e majoritariamente negra, cumpre internação por roubo ou tráfico. 

O mecanismo que visa monitorar condições, investigar denúncias e prevenir maus-tratos, atua em conjunto com comitês estaduais.

O secretário de Estado da Cidadania e Justiça do Tocantins, Hélio Marques, disse da importância do ingresso dos peritos e peritas no mecanismo estadual de Combate a Tortura do Tocantins. Segundo o secretário, “eles terão autonomia e a monitoramento será realizado nos presídios masculinos e femininos”.

O secretario ainda explicou que “nos presídios femininos precisamos implementar melhorias no que diz respeito ao acolhimento dos filhos, propiciar condições escolares como creches, melhorar o atendimento religioso e as condições de visita dos maridos”. 

A situação de jovens e crianças infratoras põe a cidade de São Paulo em destaque, com o número de adolescentes em medidas socioeducativas de privação e restrição de liberdade (5.071), sendo, ainda, o único estado com mais de 2.000 adolescentes. 

O Tocantins está entre os 15 Estados que triplicou o número de adolescentes em situação de medida socioeducativa, com até 200 adolescentes vinculados, o que também ocorre com os estados do AC, AL, AM, AP, MA, MS, MT, PA, PB, PI, RN, RO, RR, SE.

Itiane Ferreira, CalangoPress
Por Itiane Ferreira,
estagiária do CalangoPrees,
revisão Prof. Maria de Fátima Caracristi

Foto de abertura: Marcelo de Deus/MP-TO

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