“Programando o Futuro” abre vagas para curso de conserto de celular para comunidade surda 

Por Isabella Flávia Maciel

Nas últimas décadas, o Brasil registrou avanços importantes na área da acessibilidade e da inovação voltados para pessoas surdas, mas o desemprego ainda é um grande obstáculo, e não apenas para pessoas surdas, mas para as PcDs de uma maneira geral.

Com o objetivo de ampliar empregabilidade para pessoas surdas a organização social Programando o Futuro, entidade que atua na capacitação profissional de pessoas em situação de vulnerabilidade social, promoverá o curso gratuito de conserto de celulares, com vagas, também para comunidade surda.

O foco é promover formação em tecnologia, desenvolvimento humano e empregabilidade. A ação é implementada com intermediação da co-vereadora Elba Bruno de Souza, do Coletivo Somos.

“Ainda estamos com alguma dificuldade com os interprete de libras, este profissional é de suma importância no curso para atender as pessoas surda, ainda estou buscando parcerias”, explica Elba Bruno.

Serão ofertadas 40 vagas, que serão divididas nos turnos da manhã e da tarde. 10 vagas serão destinadas para pessoas surdas, que serão divididas nos períodos matutino e vespertino.

O curso de formação tecnológica em manutenção de celulares se inicia no dia 2 de março e vai até o dia  20, com  carga horária de três horas diárias.As aulas serão ministradas na Associação de Moradores da 1.306 Sul. A co-vereadora Elba Bruno explicou que “trata-se de uma ação de elevado impacto social, pois promove inclusão produtiva, acessibilidade educacional e fortalecimento da cidadania da comunidade surda”.

A co-vereadora explica que “pessoas surdas é um público que historicamente enfrenta barreiras significativas de acesso à educação profissional e ao mercado de trabalho.”

A iniciativa vai além da qualificação técnica, a co-vereadora argumenta que “ao oferecer vagas para pessoas surdas, o projeto promove acessibilidade educacional concreta, inclusão produtiva e promove a autonomia financeira”.Avanços tecnológicos

Tecnologia Aliada

A tecnologia é uma grande aliada da política de acessibilidade, prova disso é a experiência vivenciada pelo professor, administrador, escritor, palestrante e pessoa surda, Agnaldo Quintino, que teve a vida renovada após o implante coclear bilateral.

Agnaldo explica que “o implante coclear é inclusivo e nos dá uma independência total tendo em vista que a maior parte da população brasileira não entende libras”, explica, “a gente passa a ouvir bem e a se comunicar melhor, eu sou professor, palestrante, organizador de cursos jurídicos e se não tivesse o implante, seria muito mais difícil”, reconhece.

Agnaldo recorda que viveu muito tempo fazendo leitura labial, “eu me sinto melhor hoje, mais inserido no meio acadêmico, na vida profissional e no cotidiano”.

O implante coclear é um recurso que melhora a percepção sonora, a localização dos sons e a compreensão da fala, especialmente em ambientes com ruído. O avanço representa um marco na medicina e na reabilitação auditiva.

Além da tecnologia, as políticas públicas também fortaleceram direitos, desde que a Lei Brasileira de Inclusão consolidou garantias fundamentais às pessoas com deficiência.

No caso específico das pessoas surdas, a Lei nº 10.436/2002 reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão. Esses instrumentos ampliaram o reconhecimento da identidade e da cultura surda.

Apesar das conquistas, a realidade ainda apresenta desafios. Faltam intérpretes de Libras em diversos serviços públicos. O acesso à educação bilíngue de qualidade ainda não é uma realidade para todos. Há também preconceito linguístico em relação à Libras.

Na área da saúde, a comunicação entre profissionais e pacientes surdos é um obstáculo frequente. No ambiente digital, muitos conteúdos permanecem sem recursos de acessibilidade e a inserção no mercado de trabalho continua um desafio quase intransponível.

População de Pessoas com surdez

De acordo com o último Censo Demográfico de 2022, o Brasil possui cerca de 14,4 milhões de pessoas com alguma deficiência. Esse número representa 7,3% da população com dois anos ou mais.

Dentro desse total, aproximadamente 2,6 milhões apresentam grande dificuldade para ouvir, mesmo com o uso de aparelhos auditivos, o dado evidencia a dimensão da pauta da acessibilidade auditiva no país.

O curso formação em tecnologia de conserto de celulares vai oferecer 40 vagas dessas 10 para pessoas surdas. Que serão divididas nos períodos matutino e vespertino. O curso gratuito será de formação tecnológica em manutenção de celulares. As aulas ocorrerão de 2 a 20 de março de 2026, com  carga horária de três horas por dia. As atividades aconteceram na Associação de Moradores da 1.306 Sul.

Para a co-vereadora Elba Bruno “o curso é uma ação de elevado impacto social, pois promove inclusão produtiva, acessibilidade educacional e fortalecimento da cidadania da comunidade surda, público que historicamente enfrenta barreiras significativas de acesso à educação profissional e ao mercado de trabalho.”

Ao oferecer vagas exclusivas para pessoas surdas em um curso de conserto e manutenção de celulares, o projeto promove acessibilidade educacional concreta, inclusão produtiva e autonomia financeira, oportunidades reais de crescimento, empregabilidade e protagonismo para a comunidade surda. 

Saiba mais, assista ao vídeo produzido no laboratório do Curso de Jornalismo da UFT

Produção e Edição: Isabela Flávia Maciel

Acadêmica formanda do Curso de Jornalismo da UFT, especial para disciplina Gestão em Jornalismo

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