Por Thuany Gonçalves

A fim de levar toda a comunidade palmense a reconhecer a importância da comunidade surda na sociedade, a Escola de Tempo Integral Caroline Campelo, localizada no Setor Santa Fé, oferece quatro aulas por semana de Língua Brasileira de Sinais (Libras).
A diretora da Escola, Martha Cardoso, acredita que“incluir vai muito além do simples fato de aceitar a matrícula do aluno com deficiência, pois a presença da criança na escola não garante que esteja no ciclo de inclusão, tendo em vista que é preciso o professor compreender as necessidades do aluno, adaptar atividades, além da escola reforçar a relação familiar, escolar e com a comunidade externa”.
A professora da disciplina, Shirley Mafra, obteve uma experiência altamente positiva com os alunos. No início, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) era ofertada apenas para os alunos com o déficit de audição, mas logo depois, os outros colegas que apesar de não possuírem problemas auditivos, também se interessaram pela comunicação através dos sinais.
A partir de então, resolveram abrir um horário especial para as aulas de Libras, logo após o término das aulas diárias, de segunda a quinta-feira. “Foi surpreendente o resultado positivo de todos os alunos que voluntariamente fizeram suas inscrições. A procura foi tão grande que foi necessário criar uma lista de espera”, destacou a professora.
Além dos alunos matriculados no curso, houve também o interesse da comunidade escolar e região para realizar a inscrição com o propósito de aprender a Língua de Sinais. Novamente a procura foi imensa, precisando priorizar as famílias das crianças surdas no início. “Hoje estamos com uma média de 68 alunos no curso de Libras, oferecido das 17h às 18h30. Foram formados dois grupos para atender a demanda. Contamos com a participação de alunos, professores, familiares de surdos e comunidade em geral”, frisou Shirley.
Durante as aulas, o método utilizado nas práticas educativas é bilíngue, no qual contempla a Língua de Sinais (L1) e o Português (como segunda Língua L2). Para um surdo obter sucesso escolar é necessário um lugar onde as pessoas consigam de fato se comunicar com ele e, a partir da discussão, trocar informação e construir o conhecimento. Para a professora há uma boa comunicação entre todos os alunos. “Em especial, as crianças surdas apresentam um avanço significativo no conhecimento da própria língua e a interação entre eles é gratificante. Observo-os mais alegres, tranquilos e com mais segurança para assumirem suas próprias identidades”, ressaltou.
Iolete Farias, mãe de um dos alunos surdos da escola, parabeniza a iniciativa. “Essas aulas nos levam a refletir também sobre a conscientização da acessibilidade e conquistas obtidas ao longo dos anos pela comunidade surda. Então fazer parte disso e ainda acompanhando o meu filho para mim, é gratificante”, concluiu.






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