Por Lys Apolinário

Ainda no ano de 2018 o governo anunciou um corte de R$ 400 milhões no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para 2019. O órgão de incentivo à pesquisa no Brasil é ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e vem lutando contra os cortes há alguns anos.

Depois de críticas da comunidade científica e do antigo presidente do CNPq, Mario Borges, o governo acrescentou mais R$ 200 milhões ao orçamento deste ano. Ainda assim, segundo Marcelo Morales, representante da instituição, são necessários mais R$ 300 milhões para o funcionamento normal do CNPq, que, por enquanto, só poderá garantir o pagamento das bolsas dos pesquisadores até setembro.

Diante dos cortes, Guilherme Nascimento, diretor de pesquisa da UFT, afirma que as bolsas dos alunos estão sendo priorizadas. (Foto: Lys Apolinário)

O diretor de pesquisa da UFT, Guilherme Nascimento, afirma que os maiores impactos para a instituição serão sofridos através dos editais aos quais os pesquisadores concorrem para conseguir materiais, equipamentos e a construção de prédios de pesquisa. “Olhando para o próprio câmpus, a gente verifica isso, a quantidade de obras com esses recursos diminuiu. O impacto visível está nas obras que foram paradas, nos equipamentos que não chegaram ou aos quais a gente não concorreu”.

Entrevista com Guilherme Nascimento, diretor de pesquisa da UFT.

Com relação às bolsas, o diretor de pesquisa afirma que tanto o CNPq quanto a UFT priorizaram as bolsas dos alunos, para que essas não sofressem com os cortes. “A gente sabe que os alunos precisam”, explica o diretor. A professora e pesquisadora do Curso de Jornalismo da UFT, Liana Vidigal, acredita que a redução no orçamento prejudica muito as pesquisas. “A limitação de recursos influencia na distribuição de bolsas para os alunos se dedicarem às investigações, assim como reduz o surgimento de novos projetos e o desenvolvimento de trabalhos que já estão em andamento”, diz a professora.

O Brasil ainda é um país que investe muito pouco em pesquisa, dez vezes menos que a Suíça, o país que mais investe, segundo a UNESCO. Em entrevista para a Sociedade Brasileira de Química, Mario Borges afirmou que “o governo, os parlamentares e a sociedade, como um todo, precisam entender o valor da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) para o desenvolvimento sustentável do País”.

Apesar de sofrer constantes cortes nos últimos anos, é através da pesquisa científica que a sociedade cresce. Guilherme Nascimento explica que a pesquisa científica “é o avanço, não só do conhecimento, mas, na prática, ela é responsável pela construção de prédios, estradas, cirurgias menos invasivas e novas vacinas, por exemplo”.

O diretor de pesquisa afirma ainda que, no caso do Brasil, as universidades são responsáveis por grande parte das pesquisas desenvolvidas, ao contrário de outros países que contam com uma maior iniciativa de empresas e do setor privado. “É basicamente dentro da universidade que a gente produz esse conhecimento que irá gerar desenvolvimento para a sociedade”.

Essa noção da relevância social da pesquisa não é partilhada apenas entre professores e orientadores, os alunos que participam de projetos de iniciação científica também acabam por internalizar o valor da pesquisa. Lukas Ramos, aluno pesquisador do curso de Jornalismo da UFT, diz que “é impossível evoluir se ficarmos constantemente reproduzindo o que já foi descoberto. É fundamental que continuemos ressignificando os saberes e nos propondo a fazer novas descobertas para que o avanço social ocorra. Principalmente nas universidades públicas, nas quais aprendemos a trabalhar para o bem da comunidade, geralmente voltando nossas pesquisas para entregar uma contribuição para a sociedade”.

O acadêmico Lukas Ramos participa de um projeto de iniciação científica há mais de um ano. “Melhorei como aluno, melhoro como profissional e principalmente, como cidadão”. (Arquivo pessoal).

Não é apenas a sociedade que se beneficia com os projetos de iniciação científica, Guilherme Nascimento afirma que o aluno que entra para a iniciação científica tem um ganho de conhecimento e de práticas que vão muito além da graduação básica. “Ele se especializa, entra em contato muitas vezes com o mercado de trabalho, é um diferencial”, explica o diretor de pesquisa.

A aluna pesquisadora do curso de Jornalismo da UFT, Letícia Lucena, garante que sua experiência com a pesquisa foi muito enriquecedora. “Eu tive a chance de aprender e me conscientizar a respeito da influência que o rádio ainda exerce na sociedade atual e de como ele contribui para a cidadania. Além disso, também tive a oportunidade de apresentar diante de grandes nomes da área, o que foi muito gratificante”.

Letícia Lucena está na última etapa de seu projeto de pesquisa, que acontece desde agosto de 2017. “É importante dar visibilidade e incentivo aos pesquisadores, pois é uma ótima forma de agregar conhecimento e também contribuir para a comunidade acadêmica e no geral”.(Arquivo pessoal).

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Um Projeto de Pesquisa e Extensão idealizado para as atIvidades práticas de reportagem, produzido com a participação dos acadêmicos do curso de jornalismo da UFT.

Vinculado ao Núcleo de Jornalismo (NUJOR), o Calangopress funciona como laboratório para as atividades práticas do estágio, supervisionado pela Prof. Dra. Maria de Fátima de Albuquerque Caracristi.